Quinta-feira, Junho 11, 2009
Domingo, Maio 17, 2009
Respice finem
Nada mais certo, comum e inevitável (ainda assim mundanamente ignorado) do que esquecer quem morre. Necessário e incerto é o momento, e a espera, longo e penoso é o caminho da vida e aonde nos conduz, pejado dessa mórbida lembrança, acaso recortada no quotidiano dos vivos, pela dor da partida. E aos que ficam acentua-se a condição limitada e finita da existência humana.
Recupera-se a sua vida, perante o inefável galgar da morte, nos seus diversos modos ou escolhas narradas. Como criança e estudante vive no instante e não conhece outro fim na vida senão gozar o momento que passa, céptico e diletante. Encarna depois na maioridade as regras universais do dever, como juiz e trabalhador consciencioso, marido e pai devotado, pouco flexível, prisioneiro das idéias acabadas, e onde se crê um cidadão exemplar. Até que o atinge a Dor e deixa de estar submetido às regras gerais, aí onde nos abandona e o abandonamos, e passa a ser para a Dor e perante ela como um escravo. A sua relação com a Vida deixa de se traduzir em conceitos e regras gerais, convola-se antes mas numa inspiração fora do universo da razão, sem nenhuma finalidade ética. Num progressivo afastamento, Ivan vai deixando de estar entre nós, como a vida vai deixando de estar nele. Substitui-o a Dor. E de ambos nos queremos ver livres; dele e dela com ele.
Ele que decretou a sua solidão, a Dor que lha impõe, e nós que o abandonamos. Todos imersos numa vontade e desejo de morte sentimos, quando tudo termina, o alívio dos tementes, a graça dos impotentes, perante o último mistério. Revelação de que estamos vivos. Congratulem-se os crentes.
Quinta-feira, Maio 07, 2009


"Sei os teus seios.
Sei-os de cor.
Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.
Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.
Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!
Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!
Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?
Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?
Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!
Quantos seios ficaram por amar?
Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!
Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!
Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...
Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.
Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...
Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!
Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...
O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"
Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!
Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.
Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!
Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!
"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"
Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.
Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...
Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...
Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...
Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!
Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.
Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser"
Alexandre O'Neill
Sábado, Abril 11, 2009
Terça-feira, Janeiro 27, 2009
Terça-feira, Outubro 28, 2008
Mes doigts glissent maintenant le long de votre cou
Mais je ne me souviens pas de vous
Nous nous soufflons à l'oreille
Lequel de nous deux assume ce rendez-vous
Non je ne crois pas aux sortilèges
Et j'égratigne votre ciel
Toutes ces nuits... laquelle fut la plus douce
Et laquelle nous rendit amers
Face au vent je découvre votre joue
Et dépose mon long sac de pierres
La nuit enjambe les combes
Et je marche aussi loin que mon cœur est abject
La nuit enjambe les combes
Et je hisse mon chagrin de ne pas vous avoir recouverte
Porque um poço no deserto me obriga a caminhar. Para ele e dele para outro. Tudo no deserto é ausência, e dela a minha essência.
Debruço-me nesse poço escavado que mais não é que um buraco arrancado à mão. Olhando dentro, deitado sobre o chão, cravo os cotovelos. A presença que me surge, reflecte o céu na terra, que é água no fundo e pergunta por mim.
O rosto que me fita em êxtase e espanto devolve-me o quanto não sei de mim. Na ausência surge uma presença e nela pergunta pela essência. Ainda há silêncio e nada de tempo.
Escavei porque tinha sede, e havia a promessa de beber escavando. Acreditei. Da sede fiz água e saciei-me.
Houve um antes, e era sede. Depois bebi, e agora contemplo. Beberei unicamente para contemplar.
Todo o tempo é tempo demais, deformo e conformo e reformo o rosto e a água e o céu que reflecte.
Domingo, Outubro 19, 2008
Post às 4 da matina... só pode dar pimba! =)
Dis-moi pourquoi j'existerais.
Pour traîner dans un monde sans toi,
Sans espoir et sans regrets.
Et si tu n'existais pas,
J'essaierais d'inventer l'amour,
Comme un peintre qui voit sous ses doigts
Naître les couleurs du jour.
Et qui n'en revient pas.
Et si tu n'existais pas,
Dis-moi pour qui j'existerais.
Des passantes endormies dans mes bras
Que je n'aimerais jamais.
Et si tu n'existais pas,
Je ne serais qu'un point de plus
Dans ce monde qui vient et qui va,
Je me sentirais perdu,
J'aurais besoin de toi.
Et si tu n'existais pas,
Dis-moi comment j'existerais.
Je pourrais faire semblant d'être moi,
Mais je ne serais pas vrai.
Et si tu n'existais pas,
Je crois que je l'aurais trouvé,
Le secret de la vie, le pourquoi,
Simplement pour te créer
Et pour te regarder.
